Do lixo à vida:

escola da Iputinga inaugura sistema de compostagem com alunos

Entre pesagens de resíduos e mãos que aprendem com a terra, estudantes e educadoras dão início a uma experiência coletiva de agroecologia no coração da escola

O pátio da Escola Municipal da Iputinga, no Recife, amanheceu diferente. Ali onde antes se via apenas o vai e vem dos intervalos, agora surgem baldes, caixas e olhares atentos: é o começo da implementação do sistema de compostagem, etapa que transforma em prática os aprendizados construídos ao longo do projeto Sistema Agroecológico Escolar.

Depois de semanas pesando restos de merenda, registrando números e refletindo sobre o destino do lixo, alunos(as) e professores(as) dão mais um passo: devolver à terra o que dela veio. Para Cris Cavalcanti, diretora da escola, a iniciativa é mais do que uma técnica ambiental: “A escola é viva. A gente sonha, projeta, mas tudo só acontece porque existe a participação dos alunos e da comunidade. Quando a gente fala de agroecologia e compostagem, não é só sobre o lixo ou sobre plantar. É sobre aprender a cuidar, a respeitar e a olhar para o que parece pequeno, mas é essencial.”

Na sala e no pátio, a curiosidade se espalha. Juliana Andrade, professora de Geografia, se emociona ao ver a mudança no olhar dos estudantes: “Quando eles mesmos pesam o lixo, entendem a quantidade de desperdício e como aquilo pode virar vida, a aprendizagem se transforma. Eles mexem, sentem o cheiro da terra, acompanham o processo. E isso dá um orgulho enorme, porque a gente sabe que vão levar esse cuidado para casa, para a família, para o bairro.”

A Escola Municipal da Iputinga é uma das cinco unidades de ensino que integram o Sistema Agroecológico Escolar, iniciativa financiada pela Adveniat, realizada pela Associação Kapi’wara. O projeto vem sendo desenvolvido em diferentes etapas: já foram realizadas diversas etapas, como o diagnóstico participativo, a formação com professoras e professores, cine debates e a gravimetria — quando estudantes registraram diariamente o peso do lixo orgânico gerado na escola. Agora, a iniciativa avança para a implantação dos sistemas de compostagem nos pátios escolares, com outras fases ainda por vir, como os intercâmbios pedagógicos e a implementação de hortas e farmácias vivas

Mais do que técnica, o que se semeia ali é consciência coletiva. O que antes era resíduo, agora ganha destino fértil: adubar hortas escolares, alimentar novas práticas pedagógicas e inspirar modos de vida que unem educação, cuidado e agroecologia.

Da merenda ao adubo, do balde à horta, cada gesto ecoa um futuro em que escola e floresta caminham de mãos dadas.

Autoria:
Giuseppe Bandeira
Autor
Mariana Sobral
Edição
Mikaelli Lira
Foto

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