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quando a escola aprende com a terra
No bairro da Iputinga, a diretora Cris Cavalcanti aposta na agroecologia como caminho de pertencimento, consciência e cuidado coletivo
Recém-chegada à direção da Escola Municipal da Iputinga, Cris Cavalcanti trouxe para dentro da rotina escolar uma antiga paixão: a educação ambiental. O encontro com a educação ambiental, que começou ainda na adolescência, hoje ganha novas formas no espaço escolar com a agroecologia — onde alunos, professores, merendeiras, porteiros e toda a comunidade se reconhecem como parte de um mesmo território.
Ao lado da equipe, Cris abriu as portas da escola para que a terra também virasse professora. O Sistema Agroecológico Escolar (SAE) chegou primeiro em forma de escuta — no diagnóstico participativo —, depois em números que ganharam vida nas mãos das crianças, quando pesavam diariamente o lixo orgânico da escola. Vieram as formações com professores, e agora o pátio se transforma com a instalação do sistema de compostagem. Mas o caminho segue aberto: ainda virão os intercâmbios pedagógicos e o brotar de hortas e farmácias vivas. Em cada etapa, Cris enxerga mais que atividades: vê sementes de pertencimento e consciência sendo cultivadas no coração da comunidade escolar.
Como vocês receberam o projeto SAE e que importância você vê em trazer a agroecologia para o espaço escolar?
Pra mim foi extraordinário. Minha relação com o meio ambiente não começou no trabalho, começou lá atrás, quando eu era adolescente e fazia parte de um grupo de reflorestamento na escola. Então receber um projeto como esse é quase um reencontro. A escola sozinha muitas vezes não tem braço para tudo. O SAE soma, fortalece e nos dá a oportunidade de proporcionar aos estudantes vivências que eu mesma tive e que mudaram a minha vida.
E como tem sido a participação dos estudantes e funcionários?
Sempre vou acreditar que um projeto só acontece na escola se todos participarem. Desde o porteiro até a merendeira, passando pelos professores e alunos, todos estão envolvidos. Criamos uma verdadeira teia de cuidado. Os alunos começaram a se organizar: se um colega colocava o lixo no lugar errado, o outro já dizia ‘não é aqui, é na outra bombona’. Isso mostra que eles estão entendendo o processo e construindo novas responsabilidades.
Que expectativas você tem para as próximas etapas e que mensagem deixaria sobre a educação ambiental?
A educação ambiental agroecológica não é fim de ciclo, é recomeço. É um processo cíclico, que precisa estar presente em todas as escolas e espaços. Quando um aluno aprende a separar o lixo ou a plantar em casa, ele leva esse aprendizado para além dos muros da escola. E isso é o que importa: formar consciência ambiental que vai além do ‘fechar a torneira’, e que compreende o meio ambiente como parte de nós mesmos. Esse é o caminho que eu acredito
A experiência da Escola Municipal da Iputinga mostra que a agroecologia no espaço escolar é mais que prática pedagógica: é uma forma de reconectar a comunidade, despertar consciência ambiental e afirmar a escola como território vivo de transformação. O projeto é incentivado pela Adveniat, que acredita e investe em ações de transformação socioambiental.
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