Entre quintais e cidades

Há quem pense que a cidade é só pedra, vidro e pressa.
Mas há frestas.
E, nas frestas, há mãos.
Mãos que sabem o peso exato da terra molhada,
que reconhecem a alegria de um pé de couve vencendo o asfalto,
que guardam a receita antiga de chá para aliviar a tosse da criança.
São mulheres, muitas vezes.
Guardam sementes no bolso, no pote de vidro, na memória da avó.
Transformam quintais em hortas, hortas em festas, festas em encontros.
Ali se fala de comida, de saúde, de futuro.
Ali se aprende a esperar o tempo da folha,
o silêncio do broto,
a paciência que o chão exige.